Parceria com a Sedac promove oficina de escrita criativa para socioeducandos
Desenvolvida entre fevereiro e abril, proposta amplia repertórios culturais e valoriza a palavra como ferramenta de expressão
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A Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase) está recebendo o projeto “Escrevivências”, que consiste em oficinas de escrita criativa destinadas aos adolescentes atendidos nas unidades de internação das oito regionais do Estado. A iniciativa é promovida pela Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul (Sedac), por meio do Instituto Estadual do Livro (IEL). O projeto conta a parceria do Centro de Integração de Redes Sociais e Culturas Locais (Cirandar), responsável pela metodologia e pelo acompanhamento técnico das atividades.
“Com o Escrevivências, a Sedac e o IEL oferecem um instrumento de transformação social, estimulando autoria e leitura por meio da qualificação de agentes socioeducativos”, destacou o diretor em exercício do Instituto Estadual do Livro (IEL), Ricardo Rabeno. “Além de ampliar o contato dos jovens com a literatura, o projeto oportuniza encontros com autores, uma troca que fortalece o interesse pela cultura e abre espaço para novas formas de expressão”, completou.
“A linguagem do escritor, o jeito que ele falou com a gente, foi muito legal. Eu escrevi um poema sobre amor, contando sobre um relacionamento que eu tive e que sinto muita saudade”, relatou um socioeducando de 18 anos do Centro de Atendimento Socioeducativo Regional de Novo Hamburgo (Case NH). Estudante do 1º ano do Ensino Médio, ele conta que também escreveu outros textos inspirados em temáticas como a liberdade. “Sinto muita saudade de casa, da minha família. Gosto de escrever sobre isso também no meu diário”, contou o jovem que cumpre medida há 16 meses.
No mês de março, também está prevista uma formação coletiva destinada aos agentes socioeducadores que atuam junto aos espaços de leitura anexos às unidades da Fase. A proposta é contribuir para a formação dos profissionais, oferecendo orientações sobre os espaços de leitura, a mediação de leitores e a conexão com a prática das oficinas de escrita criativa.
“Acreditamos na leitura e na escrita como um direito humano e percebemos que, a cada oficina realizada, a escrita tem um poder transformador”, avalia a coordenadora institucional do Cirandar, Márcia Cavalcante. “Os socioeducandos e as socioeducandas demonstram muito engajamento nos encontros, e suas produções escritas são fonte de inspiração para acreditarmos que um novo começo sempre é possível”, acrescenta.
Saiba mais
Até o momento, as atividades já foram realizadas no Centro de Internação Provisória Carlos Santos (CIPCS), na Comunidade Socioeducativa (CSE) e na unidade de Semiliberdade Masculina, e no Centro de Atendimento Socioeducativo Feminino (Casef), todos em Porto Alegre, além do Case NH.
“O Escrevivências busca democratizar o acesso à arte e à literatura, fortalecendo a autoestima e a voz dos jovens em medida socioeducativa, transformando suas vivências em narrativas próprias e reconhecidas”, refletiu o chefe do Nelce, Pedro Falkenbach Júnior.
Até o mês de abril, a iniciativa também será realizada junto aos adolescentes e jovens adultos do Centro de Convivência e Profissionalização (Ceconp) e do Centro de Atendimento Socioeducativo Padre Cacique (Case PC), em Porto Alegre. O projeto ainda contemplará as unidades de internação (Cases) de Caxias do Sul, Pelotas, Passo Fundo, Santa Maria, Santo Ângelo e Uruguaiana.


