Clube do Livro reserva seis meses de atividades para socioeducandos da Fase em Porto Alegre
Iniciativa do CNJ, em parceria com uma editora, promove acesso à literatura e formação cultural para os jovens do Case POA 2
Publicação:
As oficinas de leitura do projeto “Cria das Letras” tiveram início em fevereiro e já estão contemplando adolescentes e jovens adultos do Centro de Atendimento Socioeducativo Regional de Porto Alegre (Case POA 2). Com lançamento oficial realizado no dia 12, o projeto é estruturado como um clube de leitura e será desenvolvido ao longo dos próximos seis meses.
A iniciativa é promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por meio do programa Fazendo Justiça, em parceria com a Companhia das Letras, responsável pela doação de 150 livros que estão compondo o acervo da atividade.
“Eu tive meu primeiro contato com os livros aqui na Fase. Nunca tinha entrado em uma biblioteca antes (espaço de leitura). Estou bem empolgado com o projeto deste ano (Cria das Letras)”, destacou um jovem atendido pelo Case POA 2 há três meses. “Gosto de ler porque ajuda a passar o tempo e parece que ajuda com uma sensação de liberdade, de estarmos dentro da história”, refletiu.
Os trabalhos contam com o apoio do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, por meio da Coordenadoria da Infância e Juventude (CIJ), além do suporte técnico da Diretoria Socioeducativa da Fase, com atuação da Coordenação Pedagógica e do Núcleo de Esporte, Lazer, Cultura e Espiritualidade (Nelce).
A proposta está alinhada a uma das principais diretrizes pedagógicas da Fase, ao estimular o hábito da leitura e ampliar o acesso à cultura entre os adolescentes. “A Fase incentiva inúmeras atividades ligadas à leitura, porque acreditamos no poder transformador dos livros. Agradecemos muito ao CNJ e à Companhia das Letras por essa parceria, que será mais uma ferramenta de promoção de conhecimento para os socioeducandos”, destacou o presidente da Fase, José Stédile.
A cerimônia de lançamento contou com a presença do juiz-corregedor Charles Maciel Bittencourt, coordenador da Coordenadoria da Infância e Juventude do Rio Grande do Sul (CIJRS), e do juiz de Direito Luís Antônio de Abreu Johnson, titular do 3º Juizado da Infância e Juventude de Porto Alegre.
“São adolescentes em situação de vulnerabilidade, e cabe a nós, enquanto poder público — o Conselho Nacional de Justiça, o Judiciário do Rio Grande do Sul, a Coordenadoria e a Vara da Infância e Juventude, responsável pelas unidades de medida socioeducativa de meio fechado — assegurar esse direito, que é, antes de tudo, um direito fundamental”, destacou o magistrado.
O evento de lançamento contou, ainda, com a participação do Assistente Técnico do Programa Fazendo Justiça/CNJ Alex Vidal; da Promotora de Justiça da Infância e Juventude, Carla Carrion Frós, além de servidores da unidade, liderados pelo diretor Manoel Freitas.
Sobre o projeto
“As três mediadoras titulares receberam formação específica ao longo de 2025, garantindo qualificação técnica para o desenvolvimento das atividades literárias junto aos adolescentes”, relatou o bibliotecário da Fase, Wellington Bucco.
Além do livro Azul Haiti; serão trabalhados com os jovens outras cinco obras pelos próximos seis meses: Meridiana; A pele em flor; Incidente em Antares (em formato de quadrinhos); Persépolis (em formato de quadrinhos); e Bakuman: Vol. 1 (mangá). Todo o acervo já está classificado e catalogado, permanecendo integralmente na unidade POA 2.




